Home » História do cristianismo » História dos Hebreus e a vida de Flávio Josefo
9 minutos de leitura

História dos Hebreus e a vida de Flávio Josefo

Flávio Josefo:

Flávio Josefo foi um estudioso muito importante que viveu durante os anos 37 d.C. até 100 d.C. Ele era um historiador e, também, um líder militar dos judeus que possuía uma aproximação com o Império Romano. Nasceu em Jerusalém, a qual, na época, era parte de uma região romana chamada Judéia. Seus pais eram bem importantes: o pai era descendente de sacerdotes e a mãe dizia ter sangue real.

A obra mais famosa dele se chama A Guerra Judaica. No começo, Josefo bateu de frente com os romanos como general das tropas judaicas na Galileia durante a Primeira Guerra Judaico-Romana. Contudo, acabou se rendendo em 67 d.C., após um cerco de seis semanas em Yodfat, uma cidade judaica. Esse cerco foi comandado por Vespasiano, o qual fazia parte do exército romano.

Josefo alegou que as profecias dos judeus já tinham previsto que Vespasiano se tornaria imperador romano. A partir daí, Vespasiano, pra variar, não quis saber de confusão e manteve Josefo como escravo e tradutor. Só depois que Vespasiano virou imperador, em 69 d.C., houve liberdade para Josefo. Desta forma, em um ato de esperteza, tomou a si o sobrenome da família do imperador, e ficou conhecido como Flávio.

Flávio Josefo mudou completamente para o lado dos romanos, tornando-se cidadão romano. Ele se tornou conselheiro e amigo de Tito, filho de Vespasiano, e ajudou como tradutor durante o cerco de Jerusalém no ano de 70 d.C. Depois desse cerco, a cidade foi saqueada e o Templo de Herodes foi destruído. Josefo escreveu sobre a Grande Revolta Judaica que ocorreu entre 66 e 70 d.C., incluindo o bloqueio em Masada.

Os livros mais importantes dele são “A Guerra Judaica” (por volta de 75 d.C.) e Antiguidades dos Judeus (por volta de 94 d.C.). Esses livros contam a história da revolta judaica contra os romanos, mas são escritos de uma perspectiva judaica, pensando em um público grego e romano. São fontes valiosas para entender o judaísmo do primeiro século e o contexto do Cristianismo Primitivo. Depois da Bíblia, os livros de Josefo são uma ótima fonte para saber mais sobre a história antiga de Israel, contando histórias de personalidades renomadas, como Pôncio Pilatos, Herodes, o Grande, João Batista, Tiago (irmão de Jesus) e, até mesmo, Jesus de Nazaré.

Biografia:

Josefo nasceu em uma família da elite de Jerusalém, sendo o segundo filho de Matias, um sacerdote judeu, cujo irmão mais velho também se chamava Matthias. Sua mãe era uma mulher aristocrata, descendente da dinastia real e anteriormente governante dos Hasmoneus. Os avós paternos de Josefo eram parentes distantes. A família de Josefo era abastada, descendendo, através de seu pai, da ordem sacerdotal de Jeoiaribe, a primeira das 24 ordens de sacerdotes no Templo de Jerusalém. Josefo também era descendente do sumo sacerdote de Israel, Jonathan Apphus. Ele foi criado em Jerusalém e recebeu educação ao lado de seu irmão.

Na fase inicial de sua vida, com vinte anos, Josefo empreendeu uma viagem para negociar com o imperador Nero a libertação de alguns sacerdotes judeus. Após seu retorno a Jerusalém, durante a eclosão da Primeira Guerra Judaico-Romana, ele foi designado governador militar da Galileia. No entanto, sua chegada à Galileia foi marcada por divisões internas, visto que as cidades de Séforis e Tiberíades optaram por buscar a paz com os romanos de maneiras distintas.

Josefo enfrentou desafios significativos na Galileia, lutando contra João de Giscala, que também almejava o controle da região. Enquanto Josefo fortificava diversas cidades na Baixa Galileia em antecipação a um ataque romano, ele teve sucesso em subjugar Séforis e Tiberíades, mas acabou sendo obrigado a abandonar Séforis diante das forças romanas lideradas por Plácido, o tribuno e, posteriormente, pelo próprio Vespasiano.

A resistência de Josefo contra o exército romano continuou notadamente em Yodfat (Jotapata), resistindo ao cerco até que a cidade caiu nas mãos dos romanos no décimo terceiro ano do reinado de Nero, no mês lunar de Tamuz.

Após o cerco e a invasão romana da guarnição judaica em Yodfat, milhares foram mortos, e os sobreviventes optaram pelo suicídio. Josefo relatou ter ficado preso em uma caverna com 40 companheiros em julho de 67 d.C. Os romanos, liderados por Flávio Vespasiano e seu filho Tito (ambos futuros imperadores romanos), exigiram rendição, mas o grupo se recusou. Segundo o relato de Josefo, ele propôs um suicídio coletivo, em que, após um sorteio, eles se mataram mutuamente, restando apenas ele e outro homem, que se renderam às forças romanas e se tornaram prisioneiros. Josefo foi libertado em 69 d.C. e atuou como negociador durante o cerco de Jerusalém em 70 d.C., período em que seus pais foram mantidos como reféns por Simon bar Giora.

Durante seu confinamento em Yodfat, Josefo afirmou ter tido uma revelação divina, prevendo a ascensão de Vespasiano ao trono. Após a realização dessa previsão, Vespasiano o libertou, considerando seu dom de profecia como divino. Josefo relatou que a revelação dispunha que Deus puniria o povo judeu, concederia fortuna aos romanos e o escolheria para anunciar eventos futuros. Essas afirmações foram consideradas egoístas por muitos judeus.

Em 71 d.C., Josefo viajou para Roma como parte da comitiva de Tito, tornando-se cidadão romano e cliente da dinastia Flaviana. Além da cidadania, recebeu alojamento na Judéia conquistada, uma pensão. Sob o patrocínio de Flaviano em Roma, Flávio Josefo escreveu suas obras conhecidas, embora se autodenominasse apenas “Josefo”. Historiadores posteriores o referem como “Flávio Josefo”, indicando que ele adotou o nome Flávio de seus patronos, o que era costume entre os libertos.

Vespasiano facilitou o casamento de Josefo com uma judia capturada, mas, mais tarde, divorciou-se. Aos 71 anos, Josefo se casou pela terceira vez com uma judia alexandrina, com quem teve três filhos, sendo Flávio Hircano o único a sobreviver à infância. Posteriormente, Josefo se divorciou da terceira esposa e, aos 75 anos, casou-se pela quarta vez com uma judia grega de Creta, membro de uma família distinta. O casal obteve uma vida feliz e criaram dois filhos, Flavius Justus e Flavius Simonides Agrippa.

A vida de Josefo é ambígua, pois era um judeu observante da lei que acreditava na compatibilidade entre o judaísmo e o pensamento greco-romano, referindo-se como judaísmo helenístico. No século XIX foi banido como traidor; muitos críticos questionavam o porquê de ele não cometer suicídio na Galileia e aceitar o patrocínio romano após sua captura.

Antiguidades Judaicas:

Depois do livro Guerra Judaica, Josefo escreveu Antiguidades dos Judeus, o qual terminou por volta de 93 ou 94 d.C., no final do reinado do imperador Flávio Domiciano. Nesse livro, ele fala sobre a história, as leis e os costumes dos judeus, entrando em debates filosóficos que estavam acontecendo em Roma naquela época.

Josefo queria corrigir o que ele achava que estava errado na história dos judeus, porque, segundo ele, muita gente tinha distorcido a verdade. Ele usa as Escrituras Hebraicas como fonte, interpreta esses textos e, também, conta o que viu nas guerras entre judeus e romanos, as quais já tinha falado no livro Guerra Judaica.

No livro Antiguidades dos Judeus, ele explicita a criação do mundo desde o seu início, como os judeus contam pela tradição histórica deles. Desta forma, ele discorre sobre Abraão, que ensinava ciência aos egípcios, visto que, depois, ensinou-a aos gregos. Moisés criou uma aristocracia sacerdotal que resistiu à monarquia, parecida com a de Roma. Ele apresenta as figuras importantes do Tanakh (as Escrituras Judaicas) como líderes e filósofos ideais. No final do livro, tem até uma parte em que Josefo se defende, contando como se comportou no final da guerra quando colaborou com as forças romanas.

Louis H. Feldman destaca a diferença entre chamar essa obra de Antiguidades dos Judeus em vez de História dos Judeus. Apesar de Josefo dizer que descreve os eventos na ordem do tempo, Feldman argumenta que ele queria organizar o material de forma sistemática, indo além da simples história política e falando também de instituições políticas, de sua vida religiosa e privada.

Guerra dos Judeus:

Quando Flávio Josefo começou a trabalhar em Roma, ele escreveu sobre a Guerra Judaica para um pessoal que se chamava de “bárbaros superiores” – o que poderia ser a comunidade judaica na Mesopotâmia. Ele escreveu esse relato em sua “língua paterna”, provavelmente, o aramaico ocidental.

Em 78 d.C., ele terminou de escrever um grande trabalho em grego chamado Guerra Judaica (em latim, Bellum Judaicum ou De Bello Judaico). Esse livro tem sete volumes e possui um amparo histórico desde o tempo dos Macabeus até a queda de Jerusalém. Ele fala também sobre a queda de outras fortalezas, tais como Herodion, Macharont e Massada; da mesma forma, retrata sobre as festas de Roma quando os romanos ganharam a guerra. Por fim, há histórias de operações militares em outros lugares do império e uma revolta em Cirene.

Além disso, em outro livro chamado Vida, Josefo conta um pouco dos mesmos eventos citados acima, dando uma visão geral de tudo o que ele viveu desde que voltou para Jerusalém depois de uma rápida visita à Roma nos anos 60.

Apião:

Contra Apião é uma obra de Flávio Josefo em dois volumes, em que ele defende o Judaísmo como uma religião e filosofia clássicas. Ele destaca a antiguidade dessa crença, contrastando com o que ele considerava a tradição relativamente mais recente dos gregos. No livro, Josefo também aborda algumas alegações anti judaicas que ele atribui ao escritor grego Ápio, assim como mitos que são atribuídos a Mâneto.

Revisado por: Bárbara Ondei

5/5 - Total de Avaliações: 1
Subscribe
Notify of
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
0
Would love your thoughts, please comment.x