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Avivamento

O tópico avivamento tem sido, nas últimas décadas, muito mencionado nos púlpitos das igrejas brasileiras. Isso se dá por conta da expansão do movimento pentecostal nas cidades, especialmente, nas comunidades em que ocorreram os avivamentos no passado, como o movimento da Rua Azusa, o de Toronto e, também, um mover mais recente, mas que não temos certeza se pode ser caracterizado como um avivamento, que é o “mover do espírito” ocorrido em Asbury, universidade nos Estados Unidos. 

O ocorrido em Asbury iniciou-se através de um grupo de jovens estudantes da universidade que se reuniu em uma capela do campus para orar e cantar louvores a Deus. Logo, a quantidade de pessoas no lugar dobrou, triplicou e, quando perceberam, havia dezenas e, depois, centenas de pessoas fazendo turnos de adoração sem cessar. O culto na universidade durou mais de 150 horas, com louvor, oração e pregações feitas por várias pessoas. Pessoas de diversos lugares do mundo, sabendo do movimento, foram até o local para adorar a Deus, o que aumentou notavelmente a quantidade do pessoal, ultrapassando, também, os limites territoriais da universidade e do país.

Esse avivamento foi, de fato, surpreendente. No entanto, surgiram discussões acerca de sua credibilidade na intensificação do Espírito Santo naquele espaço. Muitos estudiosos da área de Teologia se posicionaram dizendo que não podemos ter certeza se ocorreu um avivamento e, também, que só o tempo poderia dizê-lo. Mas, sem dúvida, reconhecemos que esse culto foi uma promoção do sobrenatural de Deus. O simples fato de essa dúvida surgir deveria nos proporcionar outros questionamentos: 

O que é um avivamento? Por que precisamos de um avivamento? Por que queremos um avivamento? Aprofundaremos posteriormente essa última questão para refletirmos. Vamos lá!

O que é um avivamento?

Trouxemos a definição do dicionário acerca da palavra que nomeia o fenômeno antes de explicá-lo, pois as suas origens linguísticas já possuem um esclarecimento de sentido. Por exemplo, a palavra “paraquedas” pressupõe um objeto que tem o objetivo de diminuir a velocidade de uma queda. Um exemplo bíblico diz respeito à palavra Adão (ʼādām), a qual vem de ʼādāmâ, significando terra, justamente indicando que o primeiro homem foi criado da terra. Mas, enfim, qual o sentido da palavra avivamento?

O termo tem uma etimologia interessante. Ele deriva do latim revivamentum, um substantivo derivado do verbo “revivare” que significa “tornar a viver” ou “reviver”. Portanto, o avivamento, no sentido espiritual, designa a renovação de vida daqueles que estavam quase morrendo espiritualmente.

Existem muitas visões diferentes no meio teológico sobre esse assunto, afinal, há divergências teológicas sobre todos os assuntos possíveis. Portanto, queremos chamar a atenção para as coisas que já aconteceram na história da Igreja e, principalmente, para o que as Escrituras relatam sobre esse tipo de mover, levando-lhes a uma reflexão acerca dessa questão tão importante para a Igreja de Cristo.

OS AVIVAMENTOS NA HISTÓRIA DA IGREJA

O Grande Despertamento

Um dos avivamentos mais enfáticos da história da Igreja promoveu-se através de Jonathan Edwards no século XVI. O movimento nomeado de O Grande Despertamento iniciou-se com um sermão que Jonathan Edwards fez como pregador convidado em Enfield, Connecticut. O nome do sermão que Edwards pregou foi o famoso “Pecadores nas mãos de um Deus irado”. Ele havia pregado o mesmo sermão na igreja que pastoreava antes, mas não tinha conseguido nenhum resultado. Porém, na segunda vez que o ministrou, houve a emergência de um avivamento. Há relatos de que, enquanto o pastor pregava sobre “a Graça de Deus ser a única coisa que impede que o chão se abra para nos jogar no inferno”, pessoas cheias de temor pediam perdão a Deus e imploravam misericórdia, pois tinham a sensação de que, de fato, o chão abriria para derrubá-los no inferno. Isso parece assustador, mas foi esse sermão sobre a Graça e a ira de Deus que se desdobrou no Grande Despertamento nos Estados Unidos; o fruto desse acontecimento foi a conversão em massa de vários crentes em Deus, os quais não faziam a menor ideia de que precisavam de um arrependimento verdadeiro. O ensino de Edwards sobre o arrependimento influenciou gerações de pregadores e teólogos americanos. Ele estabeleceu um padrão para o tipo de pregação e ensino que caracterizou muitos avivamentos subsequentes na história americana.

O Avivamento no país de Gales

O Avivamento Galês, que ocorreu entre 1904 e 1905, foi um dos movimentos de renovação espiritual mais marcantes da história moderna do cristianismo. Iniciando-se no País de Gales, caracterizou-se por intensas manifestações emocionais, um aumento significativo no número de conversões e uma renovação da oração e da santidade pessoal. Durante esse período, igrejas foram preenchidas além de sua capacidade, com reuniões acontecendo praticamente todas as noites, resultando em uma transformação visível na vida comunitária, com tavernas registrando quedas em seus negócios e tribunais observando uma redução nos casos de delitos.

A figura central desse avivamento foi Evan Roberts, um jovem minerador e, também, estudante de teologia, cujo fervor e pregação apaixonada atraíram multidões. Sob sua influência, reuniões de avivamento tornaram-se espaços onde os participantes frequentemente caíam em convicção de seus pecados, buscando o arrependimento. O impacto do Avivamento Galês não se limitou às fronteiras do País de Gales, ele inspirou e influenciou movimentos semelhantes em outras partes do mundo, tornando-se um marco no cenário global de avivamentos cristãos.

Avivamento de John Wesley

John Wesley, nascido em 1703, foi um dos principais protagonistas do avivamento metodista que espalhou-se pela Inglaterra no século XVIII. Educado em Oxford, Wesley começou sua carreira ministerial na Igreja Anglicana, mas, após uma experiência transformadora em 1738, onde sentiu seu “coração estranhamente aquecido”, ele começou a pregar ao ar livre e a enfatizar a importância da experiência pessoal da salvação e da santificação.

O avivamento liderado por Wesley não se limitou a ser meramente emocional, pois, da mesma maneira, aconteceu de forma profundamente social. A mensagem de Wesley insistia na disciplina, no arrependimento e na busca contínua pela perfeição cristã. Ele e seus seguidores estabeleceram escolas dominicais, clínicas médicas e outros programas de bem-estar social. O metodismo, movimento originado a partir do avivamento de Wesley, expandiu-se globalmente e enfatizou tanto a renovação espiritual quanto a responsabilidade social, fazendo com que sua influência fosse reverberada além das fronteiras da Inglaterra.

Outros moveres mais recentes são considerados como avivamento por alguns irmãos da Igreja, contudo, muitos possuem o cuidado de atentar-se à emoção acentuada que permite comportamentos irracionais, os quais são contraditórios ao Espírito de Deus.

O QUE AS ESCRITURAS FALAM SOBRE O AVIVAMENTO?

Os respectivos textos bíblicos que tratam sobre o avivamento do povo de Deus são: 

“Ó Senhor, ouvi o teu discurso e fiquei temeroso. Aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos a manifesta; na ira lembra-te da misericórdia” (Hebreus 3.2).

“Oh! Se fendesses os céus e descesses! Os montes se derreteriam diante de ti! Como quando o fogo inflama a lenha e faz ferver a água, para fazeres notório o teu nome aos teus adversários, de tal modo que as nações tremam diante de ti! Quando fizeste coisas terríveis, que não esperávamos, desceste, e os montes se derreteram diante de ti” (Isaías 64.1-3).

“Não nos reviverás de novo, para que o teu povo se alegre em ti?” (Salmos 85.6).

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra” (2 Crônicas 7.14).

Todos os textos acima discursam sobre o reavivamento espiritual, seja de forma individual ou coletiva. No entanto, a narrativa que melhor o retrata é o derramamento do Espírito em Atos, capítulo 2. A descida do Espírito Santo, o sermão do apóstolo Pedro e a conversão em massa de pessoas caracterizam este texto bíblico como a forma mais pura de avivamento. Pensando nestas caracterizações, quais são os componentes que estabelecem um avivamento?

O que caracteriza um avivamento?

Um avivamento é composto pelos seguintes requisitos:

  1. A profunda convicção dos pecados; 
  2. A ênfase na oração;
  3. A fome pela Palavra de Deus;
  4. A transformação de vidas;
  5. O impacto sociocultural;
  6. A adoração apaixonada.

Dentre todas essas pontuações, podemos dizer e, até mesmo, resumir que a iniciação e a sustentação de um avivamento, além da presença do Espírito de Deus, é a prevalência do arrependimento.

Todas as coisas que acontecem na humanidade têm a influência direta da soberania divina e da responsabilidade humana. Deus promove o avivamento, mas, lembremos: é uma atitude temerosa, visto que o arrependimento e o coração prostrado do ser humano é o que ampara a preservação do avivamento. Em outras palavras e de forma mais direta: não existe avivamento sem arrependimento, porque o seu objetivo é o arrependimento. É por isso que o quebrantamento de uma pessoa leva ao quebrantamento de outras, sendo assim até encontrarmos uma multidão arrependida clamando pela presença de Deus, bem como adorando-O. Sabemos que o arrependimento só acontece quando ouvimos atentamente a Palavra de Deus. Por isso, não há avivamento sem a pregação do Evangelho. Afinal, o Evangelho é o poder de Deus (Romanos 1.16-17). 

Para refletirmos em tom conclusivo: por que desejamos um avivamento? Desejamos a manifestação dos dons espirituais? Não nos esqueçamos que até mesmo o diabo consegue realizar milagres e maravilhas. O próprio Deus pode promover milagres e maravilhas enquanto desaprova as nossas atitudes e as nossas vivências (Mateus 7). Em segundo lugar: antes de pedirmos um avivamento, estamos verdadeiramente arrependidos para tal ocorrência? Conhecemos o Evangelho autêntico? Sabemos quem é Cristo, e o Deus irado pregado por Edwards, por exemplo? Há sentido no estabelecimento de uma renovação na Igreja se nós mesmos não somos renovados? O avivamento é dar vida àquele que estava quase morto. O avivamento é apresentar Cristo para aqueles que precisam de salvação.

Última reflexão: você precisa se arrepender? Você precisa ser avivado? Então:

“Arrependa-se, pois é chegado o Reino de Deus”.

Escrito por: Isabelle dos Santos Alves.

Revisado por: Bárbara Ondei.

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