Conheça a história de João Calvino um influente cristão

Conheça a historia de joão Calvino.

Muita gente diz que o calvinismo não afeta a vida cristã. Algumas pessoas, inclusive, até acham desnecessário discutir sobre o assunto. Mas, conhecendo um pouco mais sobre João Calvino, percebe-se o quanto suas ideias influenciaram o protestantismo que conhecemos hoje.

Concordando ou não com as opiniões de Calvino, é impossível não admitir que ele fez muita diferença na visão protestante, juntamente com Martinho Lutero, lá no século 16.

Na época, abrangeram uma boa parcela de pessoas por conta da máquina de imprensa. Lutero foi precursor e Calvino um pensador que se converteu ao protestantismo e concordava com o movimento de Martinho.

O protestantismo se disseminou pelo mundo, principalmente na Suíça onde também começou a correr a teologia do calvinismo. Ideologia seguida, na atualidade, por presbiterianos tradicionais e algumas igrejas batistas.

Mas quem foi João Calvino? De onde ele veio? Quais suas doutrinas? E o que o presbiterianismo tem a ver com ele?

Dá uma olhada nos tópicos que preparamos e entenda melhor quem foi esse homem e qual sua influência no meio cristão!

Quem foi João Calvino?

Nascido na França em 10 de Julho de 1509, João Calvino era católico praticante até seus 24 anos, convertido ao protestantismo em 1533. Estudou latim em Paris e direito em Orleans, onde começou a gostar do estudo bíblico e teologia.

Calvino começou a passar suas doutrinas reformistas pelas cidades francesas e se reuniu ao reitor da Universidade de Paris quando declarou apoio a Martinho Lutero. Com isso, eles foram obrigados a sair do município, acusados de heresia, e partiram para a Suíça.

O teólogo via o conhecimento como algo libertador, acreditava que a palavra de Deus poderia despertar o arrependimento. Não só o entendimento da palavra de Deus, mas todas as formas de conhecimento, por isso a presença de escolas e faculdades presbiterianas é tão forte. Hoje, no Brasil, temos o colégio e faculdade Mackenzie, em São Paulo, por exemplo.

Desde o início Calvino já pregava suas ideias, em 1536 lançou seu livro chamado “Instituições da religião cristã”. Com essa obra, ganhou a admiração de muita gente importante que lhe deu espaço na política.

Além de teólogo, Calvino era escritor. Produziu muitos sermões, cartas, tratados Teológicos, comentários bíblicos de diversos livros e outras obras. Suas publicações não ficaram estagnadas onde ele estava.

Com o objetivo de divulgar suas ideias da igreja reformada, seus escritos foram para boa parte da Europa e de lá, para o resto do mundo. Por ser uma grande “biblioteca” já escrita, ele exerce, até hoje, muita influência na história ocidental e no cristianismo.

Entre seus títulos, o que mais se destaca é o  “Institutas da Religião Cristã”. É como um manual de instrução cristã, segundo o autor. Mas também há outros livros, como  “A oração e a Vida Cristã”, escrito com John Knox, “Oração: exercício contínuo da fé”, comentários bíblicos sobre o livro de Hebreus, João, Romanos e vários outros.

Influência de Calvino no meio cristão

Um dos pontos cruciais da doutrina de João Calvino é a noção de que a salvação só era possível pela fé, enquanto na igreja Católica era pregado que comprávamos nosso lugar no céu ao financiar, de certa forma, a doutrina.

Outra característica de Calvino era a maneira como aconteciam os cultos religiosos. Ele dizia que não deveria ser usada imagens, que o lugar teria de ser simples, apenas cheio de comentários bíblicos, sem opiniões de pastores ou padres.

Mais dois pensamentos diferentes são o batismo e a ceia que não são tratados como ordenanças ou memoriais e sim como sacramento. Não vistos como salvação, mas como pontos que indicam quem é o povo de Deus.

Vamos analisar esses sacramentos:

– Ceia

Na ceia, dentro da teologia calvinista, entende-se que Cristo está presente no pão e no vinho. O pão é o corpo, mas continua sendo um pão. O vinho é o sangue, mas continua sendo sangue. Ou seja, é o corpo e o sangue de forma espiritual.

Para Calvino, isso é visto como sacramento, porque toma o lugar da páscoa do velho testamento, onde todo ano as pessoas sacrificavam um cordeiro como uma figura de purificação dos pecados.

Depois que Jesus veio, e,  como cordeiro santo, morreu por todos os pecados, não era mais necessário o sacrifício dos cordeirinhos. Mas Jesus, antes de ir para a cruz, realizou a ceia com os discípulos dando o pão como seu corpo e o vinho como seu sangue. Assim, Calvino compreende que essa representação se torna um sacramento, diferenciando o povo de Deus.

– Batismo

Já o batismo, acredita-se nele como sacramento, porque ele entra no lugar da circuncisão, que era a marca que o povo de Deus tinha no antigo testamento. No novo, Cristo ordena que devemos batizar as pessoas, entrando como a “marca pública” que se dá ao povo de Deus.

Um diferencial nas igrejas calvinistas, como a presbiteriana, é que batizam crianças. A ideia é criar um símbolo de pertencimento ao povo de Deus, uma forma de comprometimento dos pais e da igreja em ensinar e cuidar dos pequenos nos caminhos do Senhor para que um dia professem sua fé. Com ela firmada, quando mais velho, faz-se a profissão de fé.

Apesar de serem sacros, como já dissemos, Calvino não acredita que esses feitos têm parte com a salvação. A salvação para ele vem apenas pela fé, pela graça.

Para descrever de forma mais clara as demais opiniões desse teólogo, não há lista melhor do que a com os 5 pontos do Calvinismo – que não foi Calvino que elaborou, mas sim calvinistas, juntando todas as ideias em resposta aos 5 aspectos do arminianismo.

De maneira mais didática, a separação desses pontos ajuda a compreender melhor as ideias de João Calvino. Veja:

1. Depravação total

Aqui temos o ponto em que Calvino afirma que sem Jesus somos totalmente escravos do pecado, sem liberdade para escolhermos nossa própria vontade. A única forma de nos libertarmos é com a revelação de Deus, porque não temos capacidade de enxergar. É como ter um alvo, mas não saber qual é.

É comentado, ainda, a percepção de como o pecado afeta as relações humanas, entendendo quão pecadores somos e que não podemos fazer nada para mudar isso. Ele nos faz perceber que não somos melhor que ninguém, independentemente de sermos cristãos ou não.

O conceito de ser tudo pela graça nos faz ver que que vivemos todos na mesma situação. Essa visão de depravação total quebra nosso orgulho, possibilitando que olhemos para o outro com amor e não com superioridade.

2. Eleição incondicional

A noção de Calvino sobre eleição incondicional é que Deus é quem elege, Deus é quem salva, Deus é quem escolhe, Deus quem faz a obra.

Ele sustenta que Deus já sabe, e esse saber está baseado em seu propósito, considerando que estamos todos condenados e a eleição resulta da livre vontade do Pai de salvar algumas pessoas dessa condenação com um porquê que vai além de nosso entendimento.

De acordo com essa ideia, o cristão tem a segurança de que é Deus quem faz, por isso é mais fácil falar de Jesus, viver Jesus, por amor e não por medo. Compreende-se que não é pela pessoa, pelas próprias forças, sabedoria ou pelo discurso, mas pela ação do Espírito Santo.

Os calvinistas falam que, quando entendida a soberania de Deus, tem-se a segurança e a certeza da própria salvação. O fazer obras por medo de perder a salvação cai por terra. Principalmente as crises de fé, pois quando há a segurança eterna, há pela razão e a certeza de que existe um Deus e amor.

3. Expiação limitada/definitiva/eficaz

A expiação limitada é uma só: apresenta que Deus não morreu pela coletividade, morreu por um grupo específico.

Para os calvinistas, isso nos coloca em uma posição de humildade, pois mais uma vez Deus fez e nós não temos capacidade de mudar nada, não foi por nossas obras.

Para eles, entramos em um tripé: humildade, já que tudo vem de Cristo, nada de nós; segurança, porque Cristo fez tudo e estamos salvos; e adoração, pois quando entendemos verdadeiramente que Ele fez tudo, damos nosso louvor.

4. Graça Irresistível

A ideia de Calvino é que se pudéssemos resistir em último nível, resistiríamos. Nenhum de nós teria crido, porque não temos capacidade para isso.

Mas aí entra Jesus, que mudou nossa vontade e precisou nos quebrar para nos reconstruir. Isso permite que a gente olhe para o ímpio como um igual, já que a obra não é nossa, é o Espírito Santo que nos chama para o arrependimento.

A Graça irresistível não leva como base a onipotência de Deus, está firmada no dom da vida, um favor imerecido de regeneração.

Para os calvinistas, o fardo de ser perfeito é deixado de lado e começamos a buscar Jesus por ele ser quem é, não por barganha pelo céu.

5. Perseverança dos santos

Chegando ao último passo, entende-se que não só Deus se revela, mas ele nos mantém na fé. É só pela graça Dele que continuamos perseverando na fé em Jesus, porque Ele prometeu que terminaria a obra que começou em nós.

Com isso, calvinistas dizem que nossas boas obras param de ser uma justificativa para continuar no cristianismo e passam a ser fruto de um relacionamento com Deus.

As obras antes feitas por barganha, viram relacionais. Elas abordam que a maior prova de amor é doarmos sem esperar algo em troca, sem que algo me seja dado.

Para eles, barganha tende ao legalismo e nossa fé se perde com o tempo, pois ninguém continua com alguém por medo, uma hora cansa.

Compreendendo, assim, a soberania de Deus, que nada escapa da sua vontade e, por isso, há paz no coração.

Presbiterianismo: O que tem a ver com Calvino?

A igreja Presbiteriana é uma denominação fortemente calvinista e são poucas as igrejas que assumem como identidade um princípio de alguma ideologia.

O primeiro ponto é que o presbiterianismo deriva o princípio de eclesiologia, que é o modelo de governo, em que a igreja não é ordenada só pelo pastor central, mas pelo pastor e presbíteros, que são as pessoas que dão o direcionamento espiritual do corpo. No país, temos a igreja Presbiteriana do Brasil que aplica esse conceito.

Em outras igrejas, como batistas, quando existem questões mais sérias para resolver, é convocada a assembleia uma reunião com todos os membros da comunidade para uma decisão final.

Já em igrejas pentecostais, por exemplo, temos o pastor atuando como um bispo, em que ele tem autonomia como uma autoridade superior aos outros.

Além desse ponto, todos os outros que Calvino pregava e escrevia, no início do presbiterianismo, eram seguidos fielmente pelos membros. Na atualidade, temos outras vertentes da igreja presbiteriana que fugiram de alguns ideais calvinistas, como a Presbiteriana Renovada, a Independente, fundamentalista, etc.

Conhecimento é sempre importante! Concordando ou não, entender um pouco mais das doutrinas que nos cercam é essencial para contextualizar o cristianismo que vivemos.

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